Nas casas de matrizes africanas, o Ariasé e a Cumeeira não são elementos simbólicos vazios, mas fundamentos vivos que sustentam a existência do Ilê. Eles representam a Pequena África, o Igba-Ìgbádù, a cabaça da existência, expressão direta da Grande Mãe, o útero sagrado de Onílẹ̀.
O Ariasé carrega o princípio de Ìsọ̀bà, a terra firme, o chão assentado, o Aiyé manifestado. É ali que repousa a força de Onílẹ̀, senhora e dona da terra, o grande útero que tudo recebe, nutre e devolve em forma de vida, equilíbrio, boas energias e bons frutos. Alimentar o Ariasé é reconhecer que nada se sustenta sem o chão, sem o cuidado com a terra e sem o respeito ao princípio materno que gera e sustenta tudo o que existe.
A Cumeeira, por sua vez, está ligada diretamente ao Òrun, ao céu, à espiritualidade maior. Ela representa a dualidade que vai e volta, o duplo, o elo constante entre Òrun e Aiyé, entre o visível e o invisível. É o ponto de passagem, de comunicação e de equilíbrio entre os mundos.
Cada casa possui sua forma própria de assentar seu Ariasé e sua Cumeeira, conforme sua raiz, sua história e sua descendência. Na minha descendência Opó Afonjá, compreendemos que Onílẹ̀ rege o Aiyé, como dona absoluta da terra e do útero da criação, enquanto a Cumeeira guarda o princípio do Òrun, a espiritualidade superior.
Não existem donos humanos pré-definidos do chão ou do céu. Cada casa cultua e rege seus fundamentos conforme sua tradição, mas o Aiyé e o Òrun pertencem, acima de tudo, ao grande Criador de tudo, Olódùmarè, fonte suprema de toda existência, de onde tudo emana e para onde tudo retorna.
Lufãn Oyin Omi Ala Tunde ( André Filho )




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